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quarta-feira, 29 de junho de 2011

O livro depois do livro



Não se pensa aqui sobre um não-livro. Isso não passaria de mais um capítulo da história apocalíptica que a indústria da informática  vem elaborando nos últimos dez anos.
Narrativa messiânica, confere à Internet o poder e a missão de ser marco inaugural de uma nova época.
Alimentada pelo marketing do novo milênio, reitera o já entendiante blá-blá-blá sobre a grande teia que nos envolveria candidamente numa aldeia global...
Falso confronto entre fim e começo, impõe polaridades  entre a cultura impressa e a cultura digital que se valem de antinomias inexitentes.

O Livro depois do Livro  é um ensaio sobre literatura, leitura e mídia no contexto da Internet.
Tem como foco narrativas não-lineares,  trabalhos que conferem à linguagem de programação conteúdos textuais e estéticos e criações que discutem e problematizam a condição do livro e do leitor.

O site gira em torno de uma estante, cujas prateleiras, que acomodam sites de cyberliteratura e web arte, são interceptadas por intervalos da leitura.
São " páginas vazias ", que se desvanecem, indo do cinza ao branco, e impedem o retorno à estante pelos recursos do browser.
É  preciso apelar à barra da ferramentas do  site, a fim de mover-se entre seus livros a areia e  zonas da fricção.
Não somente cada volta à estante implica em um  novo itinerário de leitura, mas toda a seleção significa correr o risco de mudar o trajeto, perder o ponto de partida e redirecionar da leitura.
O avanço para um trabalho selecionado faz o leitor sair do site de O Livro depois do Livro.
Interessante paradoxo: Aqui, no espaço cuja a substância é a memória, o que prevalece é a arquitetura do esquecimento.
A estante funciona agora como nó de uma rede, um jogo de prateleiras giratórias, uma máquina nova da leitura....
Pequenas animações interceptam a leitura de trabalhos jogando com a condição textual da imagem on line, e, ao mesmo tempo com a condição imagética do texto na tela.
São imagens que exibem textos e enfrentam a estranha passagem imposta pela web. No "verso" da tela, no código fonte, uma situação se define: a Internet não passa de um grande texto. Na frente, na superfície da tela , o texto se revela como imagem.

Esse estranhamento introduz dimensões estéticas que vão além do horizonte técnico da multimídia. É um estranhamento que pode estar escrevendo uma outra linha na história do livro. Uma história que, do ponto de vista da cultura material, tem sido bastante estável desde a Renascença...


Tão estável é o livro impresso que a Internet ainda não conseguiu inventar um vocabulário próprio para a visualização de seu conteúdo na web. As telas dispõem páginas.
E isso não significa reconhecer que a Internet apenas incopora um repertório cultural. Recusa-se apenas o raciocícnio por exclusão.
Até mesmo porque a riqueza da cultura contemporânea reside na sua capacidade de criar nas e a partir das intersecções entre as linguagens.
São as zonas de fricção, portanto, entre as culturas impressas e digitais, o que interessa.

É surpreendente, porém inegável. Da época clássica aos dias de hoje, o livro, como objeto, mudou muito pouco.
Essa estabilidade é intrigante, haja vista o valor simbólico da descartabilidade para a indústria cultural.
Ela faz pensar na historicidade das práticas de leitura, no  imbricado território da recepção literária, e também do implacável mercado das ilusões perdidas de que fala Balzac.
Mas ela se impõem como história dos lugares da leitura e dos suportes de interação entre o leitor e o texto.
Mais do que receptáculos de conteúdos textuais e hipertextuais, esses suportes são contextos de leitura onde as significações se constróem.
Um repertório de gestos, um jogo tátil entre a mão e o papel (ou o "mouse"), uma constelação de objetos e de instrumentos de visão definem a posição da leitura neste mundo.
Posições instáveis, certamente. Trata-se do enigmático mundo do Livro de Areia de que fala Borges. Um livro em que é impossível retornar à pagina lida. O livro dos livros. O livro da leitura.

Não se pensa em um mundo da leitura sem pensar numa determinada leitura de mundo e no horizonte imaginário de uma época.
Implode-se a horizontalidade da linha e a própria noção de volume. A descostura intrísceca a esse processo impõe pensar que na Internet,  a tela de computador não é apenas o suporte da leitura, é uma interface.
E isso faz toda a diferença. O hipertexto nos coloca diante de uma nova "máquina de ler", que faz de cada leitor um editor potencial.
Além disso, por ser de fácil reprodução e estar disponível numa rede de computadores, a literatura digital traz a relativização da autoria no seu próprio modo de produção e realização técnica.
Ela promove assim um reenquadramento profundo das experiências de leitura e de lugares da literatura, numa escala e num ritmo sem precedentes históricos desde a aparição do livro impresso.

Tornam-se relativas as diferenciações de texto, imagem e lugar,  muito embora a metáfora da tela com a página mascare essa situação inédita.
O fato é que a web é um exercício de ilusão de ótica. O que se dá a ver na superfície da tela não está lá. Está no código-fonte.
Não importa se o que é visto é texto ou imagem. O que pode ser lido depende de uma rota textual de endereçamento que implode a horizontalidade da linha e rearticula a relação da literatura com o livro, para além da noção do volume.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos


Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo trabalho, ‘Não Contem com o Fim do Livro’
MILÃO – O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não, é a mais evidente. Ao pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. “Não. Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li estão na universidade” – é a sua preferida. “Não li nenhum”, começa a segunda. “Se não, por que os guardaria?”
Na verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros (“muito informais, à beira da piscina e regados com bons uísques”, informa Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a editora Record lança na segunda quinzena de abril.
A conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês de Eco, como fez o Estado na última quarta-feira. Localizado diante do Castelo Sforzesco, o apartamento – naquele dia soprado por temperaturas baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável paisagem que se avista de sua sacada – encontra-se em um andar onde antes fora um pequeno hotel. “Se eram pouco funcionais para os hóspedes, os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas estantes”, comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar, etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.
Conhecido tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos, cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento, estantes de vidro expõem tantos os livros raros – que, no momento, lideram sua preferência – como conchas, pedras, pedaços de madeira. As paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários países ou que simplesmente ganhou de amigos – caso de Mário Schenberg (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o escritor guarda as melhores recordações.
Aos 78 anos, Eco – que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) – exibe uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille), mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o transformou, no ano passado, em curador, no Museu do Louvre, em Paris. Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E, como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco – envergando um elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan nas fotos) – conversou com a reportagem do Sabático.
O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas tecnologias?
O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.
Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?
A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.
Não é possível prever o futuro da internet?
Não para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.

Como a crescente velocidade de processar dados de um computador poderá influenciar a forma como absorvemos informação?
O cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias – de Paris a Nova York, por exemplo – sem sentir o desconforto do jet lag. Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia hora e se sentir bem?
É possível existir contracultura na internet?
Sim, com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única forma de se manter contato com o restante do mundo.
Em um determinado trecho de ‘Não Contem Com o Fim do Livro’, o senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória – que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar.
De fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta dar um clique no computador para obter essa informação. Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra, acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais. Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação, ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos – até ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa (risos). Não é maravilhoso?
No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.
Sim, escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai, provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante para traçar o futuro.
Diversos historiadores apontam os ataques terroristas contra os americanos em 11 de setembro de 2001 como definidores de um novo curso para a humanidade. O senhor pensa da mesma forma?
Foi algo realmente modificador. Na primeira guerra americana contra o Iraque, sob o governo de Bush pai, havia um confronto direto: a imprensa estava lá e presenciava os combates, as perdas humanas, as conquistas de território. Depois, em setembro de 2001, se percebeu que a guerra perdera a essência de confronto humano direto – o inimigo transformara-se no terrorismo, que podia se personificar em uma nação ou mesmo nos vizinhos do apartamento ao lado. Deixou de ser uma guerra travada por soldados e passou para as mãos dos agentes secretos. Ao mesmo tempo, a guerra globalizou-se; todos podem acompanhá-la pela televisão, pela internet. Há discussões generalizadas sobre o assunto.
Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50 mil volumes?
Sim, de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil – o restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer uma filtragem.
Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?
Porque a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores, o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países. Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte. Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).
Um estudioso que também é seu amigo, Marshall Blonsky, escreveu certa vez que existe de um lado Umberto, o famoso romancista, e de outro Eco, professor de semiótica.
E ambos sou eu (risos). Quando escrevo romances, procuro não pensar em minhas pesquisas acadêmicas – por isso, tiro férias. Mesmo assim, leitores e críticos traçam diversas conexões, o que não discuto. Lembro de que, quando escrevia O Pêndulo de Foucault, fiz diversas pesquisas sobre ciência oculta até que, em um determinado momento, elas atingiram tal envergadura que temi uma teorização exagerada no romance. Então, transformei todo o material em um curso sobre ciência oculta, o que foi muito bem-feito.
Por falar em ‘O Pêndulo de Foucault’, comenta-se que o senhor antecipou em muito tempo O Código de Da Vinci, de Dan Brown.
Quem leu meu livro sabe que é verdade. Mas, enquanto são os meus personagens que levam a sério esse ocultismo barato, Dan Brown é quem leva isso a sério e tenta convencer os leitores de que realmente é um assunto a ser considerado. Ou seja, fez uma bela maquiagem. Fomos apresentados neste ano em uma première do Teatro Scala e ele assim se apresentou: “O senhor não me admira, mas eu gosto de seus livros.” Respondi: Não é que eu não goste de você – afinal, eu criei você (risos).
Em seu mais conhecido romance, O Nome da Rosa, há um momento em que se discute se Jesus chegou a sorrir. É possível pensar em senso de humor quando se trata de Deus?
De acordo com Baudelaire, é o Diabo quem tem mais senso de humor (risos). E, se Deus realmente é bem-humorado, é possível entender por que certos homens poderosos agem de determinada maneira. E se ainda a vida é como uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, como Shakespeare apregoa em Macbeth, é preciso ainda mais senso de humor para entender a trajetória da humanidade.
Como foi a exposição no Museu do Louvre, em Paris, da qual o senhor foi curador, no ano passado?
Há quatro anos, o museu reserva um mês para um convidado (Toni Morrison foi escolhida certa vez) organizar o que bem entender. Então, me convidaram e eu respondi que queria fazer algo sobre listas. “Por quê?”, perguntaram. Ora, sempre usei muitas listas em meus romances – até pensei em escrever um ensaio sobre esse hábito. Bem, quando se fala em listas na cultura, normalmente se pensa em literatura. Mas, como se trata de um museu, decidi elaborar uma lista visual e musical, essa sugerida pela direção do Louvre. Assim, tive o privilégio (que não foi oferecido a Dan Brown) de visitar o museu vazio, às terças-feiras, quando está fechado. E pude tocar a bunda da Vênus de Milo (risos) e admirar a Mona Lisa a apenas 20 centímetros de distância.
O senhor esteve duas vezes no Brasil, em 1966 e 1979. Que recordações guarda dessas visitas?
Muitas. A primeira, em São Paulo, onde dei algumas aulas na Faculdade de Arquitetura (da USP), que originaram o livro A Estrutura Ausente. Já na segunda fui acompanhado da família e viajamos de Manaus a Curitiba. Foi maravilhoso. Lembro-me de meu editor na época pedindo para eu ficar para o carnaval e assistir ao desfile das escolas de samba de camarote, o que não pude atender. E também me recordo de imagens fortes, como a da moça que cai em transe em um terreiro (para o qual fui levado por Mario Schenberg) e que reproduzo em O Pêndulo de Foucault.


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Skilf Reader, novo leitor de ebooks terá tela flexível Leia mais em: http://ebooksgratis.com.br/informacao-e-cultura/noticias-skilf-reader-novo-leitor-de-ebooks-tera-tela-flexivel/#ixzz1QbrBZtss


A Hearst, gigante do meio editorial, divulgou mais detalhes do Skilf Reader, seu próprio dispositivo para ler e-books. O Skilf é considerado o maior do mercado. Tem 11,5 polegadas, resolução de 1200×1600 e é sensível ao toque. Vai competir diretamente com o Kindle DX, que tem visor de 9,7 polegadas.
Além de trabalhar com textos tradicionais, voltados para livros e PDF, o Skiff também promete visar formatos para revistas, o que pode expandir ainda mais sua abrangência. A tela touchscreen aproxima o leitor do formato tradicional de livro, permitindo que o usuário possa “virar” as páginas com os dedos.
O aparelho também vem com 3G e Wi-Fi e tem visualização em preto e branco, mas inova ao utilizar o e-paper: é feito de uma chapa de aço flexível criada pela LG, que pode ser dobrada. O leitora ainda não tem data de lançamento ou preço definido.


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E-book usa audio, video, GPS e game para divertir

No início deste mês, na Feira de Guadalajara (México), durante o 8º Fórum Internacional de Editores e Profissionais do Livro, com o tema “A edição e as livrarias frente às mudanças tecnológicas”, John W. Warren, diretor de marketing e publicações da RAND Corporation, participou com a conferência “Evolução da publicação digital: uma nova profissão?”.
Durante a sua fala, mencionou, como possibilidade de livro eletrônico, o projeto “Alice Inanimada”, que pode ser lido grátis. O leitor segue as peripécias de Alice, incrementada com imagens do Google Maps, vídeos, áudios, fotos e localização GPS. Há uma planta da casa da garota, com fotos de ambientes e vídeos que exploram detalhes. Ainda é possível jogar os jogos que ela inventa e ouvir as canções que ela compõe. Warren propõe que as possibilidades para o livro eletrônico vão muito além do texto. E caminham em direção a algo bastante distinto daquilo a que chamamos de livro.
O livro eletrônico toma para si elementos do universo digital que já conhecemos bem: games, vídeos e interação. Com isso, a “leitura” fica mais próxima à diversão e à interatividade, deixando de ser uma atividade solitária que exige concentração para se conectar a um mundo particular. E o papel da imaginação na leitura muda completamente. Mas, afinal, essas são mudanças no universo do livro ou o e-book é uma nova mídia?
Compreender esse universo é a ordem do dia para todos os profissionais da área. Para José Castilho Marques Neto, presidente da editora Unesp e secretário do Plano Nacional do Livro e da Leitura, o PNLL, além do aparecimento de novas mídias, para complicar ainda mais, a conectividade do autor com o leitor pode modificar o mercado de maneira jamais vista. Ele afirma que, com a interatividade, é possível aprofundar o conteúdo sem que o texto, a essência do livro, seja prejudicado.
Com isso, abrem-se novos caminhos para a edição. Castilho argumenta que novos suportes não podem ser problema. Segundo ele: “A questão é a incapacidade dos editores em trabalhar com conteúdos de maneira diferenciada, estratégica, pois agora existe a oportunidade de trabalhar conteúdos conceitualmente, utilizando mídias distintas ou complementares, para cada um deles”.
De maneira geral, há um receio em relação ao novo suporte. O problema, segundo Castilho, é que os editores estão perdendo de vista o que o livro tem de mais elementar. Em suas palavras: “Os editores estão lendo cada vez menos seus próprios autores. Há uma pauperização na qualificação do conteúdo”.
O livro eletrônico é uma oportunidade e pode auxiliar o desenvolvimento do mercado ainda mais – isso já se sabe. O enfrentamento dessa discussão do novo suporte não estaria, portanto, na tecnologia, e sim, “na habilidade em trabalhar conteúdos levando-se em conta as novas possibilidades”, esclarece Castilho




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terça-feira, 21 de junho de 2011

O que é Biblioteca Digital?

Biblioteca digital é a biblioteca constituída por documentos primários, que são digitalizados quer sob a forma material (disquetes, CD-ROM, DVD), quer em linha através da Internet, permitindo o acesso à distância. Este conceito inclui também a idéia de organização composta por serviços e recursos cujo objetivo é selecionar, organizar e distribuir a informação, conservando a integridade dos documentos digitalizados.
Segundo Leiner (1988), "Uma biblioteca digital é a coleção de serviços e de objetos de informação, com organização, estrutura e apresentação que suportam o relacionamento dos utilizadores com os objetos de informação, disponíveis direta ou indiretamente via meio eletrônico / digital."
Uma biblioteca digital permite o acesso remoto através de um computador com ligação em rede e, ao mesmo tempo, a sua utilização simultânea por diversos utilizadores, onde estes podem encontrar em suporte digital os produtos e serviços característicos de uma biblioteca física. Através dela é também possível utilizar de forma integrada diferentes suportes de registro de informação (texto, som, imagem). As bibliotecas digitais eliminam as barreiras físicas e a distância, fatores que desde sempre limitaram o âmbito das bibliotecas físicas – biblioteca sem muros. Porém, estas bibliotecas sofrem de outros tipos de limitações, nomeadamente a nível da sua temática.
Assim, a Internet, meio por excelência de transmissão da informação neste contexto, comporta diferentes aspectos únicos, como sendo a capacidade de memória, a transportabilidade e a ubiquidade da informação.
A biblioteca digital pode ser também designada por biblioteca eletrônica, biblioteca sem muros ou biblioteca virtual.

Biblioteca Digital: Origem




O desenvolvimento das Bibliotecas Digitais está intimamente relacionado com a evolução da tecnologia e do modo de tratamento e transmissão de dados. Desde a invenção do telefone por Graham Bell (1876), passando pela criação do primeiro computador pela ENIAC (1946), até a invenção da web por Tim Berners-Lee (1991).
Antes, em 1971, Michael Hart (fundador do Projeto Gutenberg), no momento em que a rede se limitava apenas a 23 computadores, criou a Biblioteca de Alexandria em formato digital cujo primeiro trabalho se baseou na Declaração da Independência dos Estados Unidos. Esta iniciativa foi muito bem sucedida, dando origem à disponibilização de mais de 2.000 títulos em diferentes línguas.
As bibliotecas começaram por utilizar a tecnologia dos computadores para melhorar os seus serviços básicos como a catalogação e organização do acervo à sua guarda. Com a proliferação do acesso em linha, estas instituições passaram a poder ter bases de dados organizadas, dinamizando assim a informação disponível.
Na última década do século XX, o mundo da informação digital sofreu grandes transformações, tendo surgido inúmeros projetos que confluíram no que hoje denominamos de Bibliotecas Digitais.

Referência: http://biblioteca-digital.wikidot.com/historia

Projeto Gutenberg



A iniciativa pioneira, batizada de Projeto Gutenberg surgiu em 1971 quando o então estudante Michael Hart recebeu o direito de usar os computadores da Universidade de Illinois (EUA) e começou a digitar obras importantes para que todos pudessem ter acesso à informação. Hoje já existem mais de 14 mil livros distribuídos livremente na Internet, graças a centenas de pessoas em todo o mundo que trabalham voluntariamente para democratizar o acesso ao conhecimento. 
O Projeto Gutenberg tem o objetivo de facilitar a distribuição da informação. Os arquivos são armazenados e distribuídos em texto puro (o formato mais simples possível) e podem ser lidos em qualquer computador, dos modernos e portáteis PDAs (Personal Digital Assistants) como palm/pilot, jornada, psion e cassiopeia até os antigos Apple II. 
Em 2006, o Projeto Gutenberg afirmava ter mais de 20.000 itens no seu acervo, com uma média de mais de 50 novos livros-e adicionados semanalmente. Estes são sobretudo obras da literatura da tradição cultural ocidental. Para além de literatura tal como romances, poesia, contos e teatro, o Projeto Gutenberg também tem livros de culinária, obra de referência e partes de periódicos. O acervo do Projeto Gutenberg também tem alguns itens não-textuais tais como ficheiros de áudio e partituras musicais.
A maioria dos lançamentos é em inglês, mas existem também números significativos em outras línguas. Em Agosto de 2006, as línguas que não o inglês, mais representadas era (por ordem): francês, alemão, finlandês, neerlandês, espanhol e português.
Sempre que possível, os lançamentos do Gutenberg estão disponíveis em texto puro, sobretudo utilizando a codificação de caracteres ASCII mais frequentemente estendida para ISO-8859-1. Também podem ser lançados outros formatos quando enviados pelos voluntários, sendo o mais comum o HTML. Os formatos que não são facilmente editáveis, como o PDF, não são normalmente considerados conformes aos objetivos do Projeto Gutenberg, embora alguns tenham sido acrescentados ao acervo. Há anos que existem discussões sobre a utilização de algum tipo de XML embora os progressos quanto a esse assunto tenham sido lentos.